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Manauara e o cabrito bom II


“Cabrito bom não berra” é um termo usado por ladrões da periferia de Manaus, e provavelmente de origem nordestina. “Cabrito” significa produto de roubo ou algo ilegal e o fato de ele não berrar quer dizer que não haverá problemas com o crime. Que não haverá delação, que não ocorrerá problemas com a polícia, etc.
O Manauara por ser governado muito tempo por uma elite que foi se sucedendo uma atrás da outra durante quase os quinhentos anos da colonização européia e principalmente nos últimos vinte e cinco anos depois da abertura e da redemocratização do Brasil, onde uma quadrilha se empoleirou no poder e corroeu todas as estruturas sociais instalando um governo onde a corrupção, a intimidação e a privação dos direitos dos cidadãos é uma pratica comum, tornou-se um cara passivo, (no bom sentido, claro) que raramente briga por seus direitos, ficou com fama de povo pacífico, amistoso e condescendente, tirado de otário na maioria das vezes. Assim vai se tornando um cabrito bom, que não berra, e é sistematicamente utilizado como massa de manobra.
Perto de casa, no bairro do Parque 10 estão construindo vários condomínios verticais de classe média ao mesmo tempo, isso graças à política habitacional implementada pelo governo Lula, que empresta volumes imensos de dinheiro para a população comprar sua casa própria. O mercado virou um maná para políticos donos de empreiteiras e construtoras. Uma delicia.
O problema é a total ausência do poder publico na cidade toda. A cidade não tem calçada, pedestre é sub raça, não existe, e quando tem calçada é logo ocupada por um carro. Vira estacionamento, na maior cara de pau. Essas construtoras dos prédios não usam tela de proteção obrigatória para que martelos não caiam na cabeça do populacho pedestre que passa embaixo. As raras calçadas estão tomadas pelos carros da própria construtora e o “marginal” pedestre tem que competir com carros guiados por pessoas que também acham o pedestre é um empecilho ao livre fluxo das suas máquinas que até bem pouco tempo atrás eram canoas (eles até dirigem como se fosse canoa, só ao sabor do remanso). Ou seja, o pedestre é empurrado da calçada para que o outro carro chute pro gol.
A melhor de todas as delicias dessa boçalidade foi à extração da cobertura do ponto de ônibus dos moradores da área por estragar esteticamente a arquitetura antiquada e copiada dos arquitetos moitas da vida que se acham. O ponto de ônibus serve aos moradores pedestres da região e por incrível que pareça, também aos trabalhadores do prédio em construção.
Acho que os pedreiros também enfeiam a obra de arte que essas malas copiam de arquiteturas vencidas de São Paulo.
E ninguém reclama, fica tudo no ponto, calados, cabisbaixos, envergonhados por estarem atrapalhando o trafego decente da cidade palha.
E o poder publico?
Oras, é o dono das construtoras e querem é que essa raça se exploda, como diria o Justo Veríssimo.

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