quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Decidindo começar a viver


Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Só aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais
passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar e a pedir perdão
E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez

Tudo recomeça Yarinha

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Papai Noel não é neo-ambientalista


Depois da COP 15 aqui em Copenhague resolvi passar o natal na Lapônia, terra do Papai Noel já que estou tão perto. Pedi para minha amiguinha chamar seus amigos ambientalistas pra gente tentar esquecer o fracasso da reunião mundial sobre o clima e tentar fazer uma festa de natal nas terras do velho traíra que deu um presente tão fuleiro esse ano. Pegamos um ferry boat na Dinamarca direto pra Oulu no Mar Baltico finlandês. Minha amiga chamou seus amigos Neo-Ambientalistas Criados em Cativeiro (NAC²) com seus modelitos new-hippie com cara de Daspu comprados na Daslu e fomos enchendo a cara de hidroponados até a Lapônia. Evidentemente estávamos todos cabisbaixos e putos da vida mas resolvidos a dar o trôco. Para tentar melhorar o astral resolvi abrir uma garrafa de Santo Daime que tinha comprado em uma loja de bebidas em Amsterdã dias atrás, já que é uma bebida ritualística muito apreciada no meio ambientalista. Ver a aurora boreal da Lapônia em estado de borracheira deve ser algo mágico e como o aquecimento global vai destruir toda a calota polar em dois anos, de acordo com a teoria evangélico apocalíptica da seita dos NAC², melhor não perder tempo. Nunca acreditei em Papai Noel e portanto não acho que ele tenha nascido na Lapônia, mas como todos estávamos viajando com dinheiro de uma fonte desconhecida mesmo, o melhor era aproveitar, porque de graça até injeção de inveja na testa está servindo. Fico imaginando aquele menino do INPA, tentando escrever sua tese de mestrado, morrendo de ansiedade claustrofóbica quando vê seu orientador, a quem ele tem ódio, desprezo, inveja, mas tem que agradar, lutando com sua inteligência mediana e simples, louco pra ser aprovado e trabalhar em alguma ONG gringa pra ver se esquece sua cidadezinha no interior do sudeste brasileiro e sua vida de infortúnios. Que bom se ele estivesse aqui pra ver as cores acidas da aurora boreal sob o efeito do daime. Poderia até ver o Papai Noel com suas renas robustas percorrendo os céus da Lapônia levando presentes para as crianças ricas do primeiro mundo, já que crianças africanas que não comem, não ganham presente. Enfim, feliz natal do Papai Noel não ambiental.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Papai Noel generoso de Copenhague


Na reunião sobre o clima em Copenhague na Dinamarca tem um Papai Noel mais sacudo que o normal. Enquanto o Papa Noel africano passa por cima do continente dizendo que não vai dar presentes para criancinhas que não comem, o da rica Dinamarca está soltando bilhões de dólares para comprar gás carbônico, na verdade peido das vacas e dos indígenas comedores de farinha, a flatulência amazonica . Por isso que tem tanta autoridade política, ONGS e afins se esbofeteando pelo dinheiro verde. As somas que eles falam na televisão lembram aqueles números dos astrofísicos quando falam das dimensões do universo e da velocidade da luz. Coisa difícil para um cérebro humano dimensionar. Esse natal vai ser gordo para alguns eleitos. Claro que nada na vida é de graça. A Amazônia na certa vai ser emprenhada nessas rodadas de negociações, e com os 23 milhões de não humanos que habitam nela. No pacote devem entregar com paca, tatu, cotia acho que não. O governador verde do Amazonas, Eduardo Braga, Amazonino Mendes e comitiva, estão com as mãos coçando de olho nessa grana toda. Estão pensando em aposentadoria, já que com os bilhões verdes vai dá para comprar um iate que faça frente ao do Bill Gates que esteve navegando pelas águas barrentas do Rio Amazonas, causando inveja aos corruptinhos da região, fazendo banzeiro nas suas canoinhas. Esse vai ser o natal do século para alguns. Papai Noel não é ambientalista, já que o natal é uma data de puro consumo inútil. Ooohh festinha cretina é o natal.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Minha Menina Recouver


Letra trocada do Arnaldo Antunes

Eu trato muito mal minha menina
Um dia ela vai puxar o carro
Da minha barba mal feita, meu catarro
Um dia ela vai encher o saco
Eu trato muito mal minha princesa
Um dia ela vai virar a mesa
O meu olhar só vê o meu umbigo
Um dia ela não vai ficar comigo
Eu olho para ela com desprezo
Como um déspota destrata uma empregada
Das grades do orgulho onde estou preso
Eu maltrato a minha namorada
Meu terno engomado, meu perfume
Meu tédio, meu remédio digestivo
Meu eterno pesadelo de ciúme
Um dia desses ela vai me dar motivo
E ficar sem migo
E ficar sem migo
E ficar sem migo sim
Vai ficar sem migo
Vai ficar sem migo
Vai ficar sem migo só
Eu trato muito mal minha pequena
Um dia ela vai sair de cena
E o remorso vai me torturar sem pena
Quando a vir ao lado de outro no cinema
Eu trato muito mal o meu amor
Não rego com carinho a minha flor
Depois de ver o que eu já fiz
Com certeza ela vai sumir de vez
Vai sumir sem migo
Vai fugir sem migo
Vai sumir sem migo sim
E ficar sem migo
E ficar sem migo
E ficar sem migo sim
Vai ficar sem migo
Vai ficar sem migo
Vai ficar sem migo só

sábado, 5 de dezembro de 2009

METAL CONTRA AS NUVENS


RENATO RUSSO

Não sou escravo de ninguém
Ninguém é senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais

Eu sou metal
Raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal
Eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal
Sabe-me o sopro do dragão

Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra
Tem a lua, tem estrelas
E sempre terá

Quase acreditei na tua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa

Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo.
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão (4x)

É a verdade o que assombra
O descaso que condena
A estupidez o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais

Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos

Eu sou metal - raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal: eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal: me sabe o sopro do dragão

Não me entrego sem lutar
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então

Tudo passa
Tudo passará (3x)

E nossa história
Não estará
Pelo avesso assim
Sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora, ahh!
Apenas começamos.

Amar não é pra qualquer um


Quem levou tôco sabe, como a raposa que não alcança as uvas e passa a ter ódio delas. Desejar e não ter o objeto do desejo desperta a infantilidade enrustida. Melhor dar tôco do que levar. Levar tôco nem cristão legitimo agüenta. Quem leva tôco fica zil anos no purgatório dos otários, pois jacaré tem pra tudo que é lado e onça pintada não come bambi porque não tem, mas pega macaco, porco do mato, paca, tatu...cotia não. Filosofia zoo zen ajuda pra caramba a entender as sequelas da vida. Algumas meninas quando passam por tôco vão e dão pra curar as cicatrizes da rejeição e continuam se sentido só, mas adorariam ser Clarisse Lispector e poder dizer “gênero não me pega mais, estou em um estado novo e curioso”. Um bom samba canção e dentro dela não há nem eu...sem ela...e seu olhar melhora o meu.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A Tôuca do Noel


O natal sempre dá um bode preto. Toda pessoa que faz algum tipo de reflexão histórica, filosófica, empírica sobre a vida, acha o natal uma festa vazia, imposta por culturas alienígenas e completamente sem sentido. A cultura consumista que envolve a data é tão alienante que muita gente simplesmente odeia o natal. Eu sou um. Porém resolvi não mais me importar com isso. Resolvi que não vou mais me incomodar quando a povo elege de novo políticos corruptos, quando o juiz erra sempre pro time mais poderoso, tipo São Paulo, quando a coisa acaba quando a festa esquenta e quando a gostosa sai com o cara que tem a coisa, e principalmente me importar com datas chatas que enchem o saco, tipo, natal e dias dos namorados. A solução encontrada é cair na gandaia também, festejar como todo mundo. Só que do meu jeito. Então pensei em uma festa pré natalina chamada “A Touca do Noel”. Seria uma espécie de esquenta pro carnaval, onde só entra quem vai de touca de Papai Noel, solamente, mas sem a obrigatoriedade de ir solamente de touca. Convidaria o aniversariante para fazer as honras na porta, mas sem os pregos e a cruz, festas heavy metal são chatíssimas, o máximo que ele poderia trazer da sua triste indumentária seria seus panos de bunda. Também não teria guirlandas, pois não consigo imaginar nada mais cafona que guirlanda. Ohhhh coisa feia é guirlanda. Luzes pode. Luzes é legal. Tai uma coisa que gosto do natal. As luzes. Agora o que não vai ter mesmo são as musiquinhas de natal. Ahhhhhhh...essas nemmmmmmmmm. A música para saldar amigos é com certeza, um bom samba. Tai uma coisa que realmente não pode faltar em uma festa de natal das boas: samba e amigos. Os bons e velhos amigos. No mais, tudo é dispensável, inclusive o pior de todos os itens banalizantes do natal, o tal do presente. O natal, essa festa não festa, deveria ser tudo, menos presente. Natal é o passado e o futuro, não o “presente”. Portanto é uma data pra nêgo festejar os amigos do passado e tornar possível ter mais amigos futuros. No mais, o lance é ir pra Touca do Noel.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A luz que vem do daime


Ayahuasca, nome quíchua de origem inca, refere-se a uma bebida sacramental produzida a partir da decocção de duas plantas nativas da floresta amazônica: o cipó Banisteriopsis caapi e folhas do arbusto Psychotria viridis. É também conhecida por yagé, caapi, nixi honi xuma, hoasca, vegetal, Santo Daime, kahi, natema, pindé, dápa, mihi, vinho da alma, professor dos professores, pequena morte, entre outros. O nome mais conhecido, ayahuasca, significa "liana (cipó) dos espíritos". Utilizada pelos incas e também por pelo menos setenta e duas tribos indígenas diferentes da Amazônia. É empregada extensamente no Peru, Equador, Colômbia, Bolívia. No Brasil faz parte do ritual de varias seitas. Acreditando na possibilidade de que só se pode ser feliz pagando mico, fui a uma sessão ritualística que tem como pratica uma nova forma de beber a ayahuasca, santo daime ou o nome que se queira dar a bebida. Um amigo, o Raymond de Sá, o Bárbaro, trouxe de Brasília, da mística região do Vale do Amanhecer, uma seita nova, uma forma diferente de beber a infusão. O ritual começou com a velha e ordeira fila para beber o chá, recebemos um copo cheio de uísque com quatro pedras de gelo feito de ayahuasca, ficamos todos de pé, esperando bater. Depois de uns quinze minutos de silencio profundo, quando a lombra estava começando a entrar, começou a tocar uma musica, uma espécie de mantra, baixo e suave e foi aumentado gradualmente. A música era assim “ ado, ado, ado, cada um no seu quadrado...ado, ado, ado, cada um no seu quadrado”. Enquanto cantávamos, uma força estranha se apossou de todos nós e começamos uma dança ritualística parecida com o funk carioca, onde cada um devoto dava um passinho pra frente e um passinho pra trás e ia até o chão rebolando, sempre cantando o mantra “ado, ado, ado, cada um no seu quadrado”.
Meia hora depois eu estava me sentindo ridículo. Foi então que bateu a viagem mística. Sempre no fim, as coisas parecem ter a forma que sempre tiveram e que deveriam parecer ter sempre. Nos últimos dias do inverno febril a luz adquire o péssimo hábito de pousar em cima dos objetos ocultos libertando as abjeções, despertando a velha fome de viver. Essa mania de querer morrer mesmo amando a vida, essa eutanásia deliberadamente feliz, essa boca cheia de sede que me suga as noites quentes do mesmo velho e antigo verão úmido de grandes lábios suculentos, essa vontade de ver atrás da porta verde um deus que nem acredito existir, tudo isso me impulsiona para experiências próximas da canalhice, do charlatanismo. Viver de verdade é perder o medo de ser ridículo, portanto, quando abri o olho novamente, lá estava eu atrás de uma bunda linda que pertencia a uma gatinha ambientalista estilo new hippie que trabalha em ONG, dançando e cantando...”ado, ado, ado, cada um no seu quadrado...ado, ado, ado, cada um no seu quadrado”.
Essa experiência mística mexeu profundamente comigo, acho que finalmente a porta verde se abriu, as coisas ficaram um pouco mais claras, algum significado para justificar a vida emergiu dentro de mim enquanto eu olhava para aquela bunda, dançando e cantando “ado, ado, ado, cada um no seu quadrado...ado, ado, ado, cada um no seu quadrado”. Percebi que se fosse continuar nessa seita, não poderia ser um simples devoto, teria que ter um franchise para poder me auto proclamar mestre. Mestres ficam sentados só olhando as bundas dançantes, uma posição privilegiada e mais adequada para um cara de quase cinqüenta anos como eu. Esse lance de ficar rebolando até o chão, mesmo dopadão, deu uma piorada na minha lordose. Ainda bem que a garota da bunda linda tinha feito curso por correspondência de massagem tailandesa e está dando a maior força aqui em casa, cozinhando, lavando e passando a minha roupa e de vez em quando me dando uma sapecada, cantando “ado, ado, ado cada um no seu quadrado...”. Dei um tempo na Dalila, minha boneca inflável.
Tirando o grão de bico e o gergelim, estou comendo bem, graças a deus!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Intervenção federal no Amazonas já!


A decisão dos juízes do TRE a favor do Amazonino Mendes é uma prova que o estado do Amazonas está entregue a uma gang política que trata a coisa publica como um feudo, como um morro do Rio de Janeiro, onde a lei quem faz são eles. Na hora do julgamento, na primeira fila para pressionar o TRE estava o Roberio Braga, compassa de primeira ordem do grupo. Se bem que o TRE já estava no papo desde que o Eduardo Braga deu cargo vitalício no Tribunal de Contas para o filho do juiz eleitoral Ari Moutinho. O Amazonas é um feudo político onde uma organização criminosa travestida de políticos está no poder a 25 anos. Quando o Boto Tucuxi, vulgo Gilberto Mestrinho, voltou do exílio e disse no aeroporto Eduardo Gomes que ficaria no mínimo 25 anos no poder ele não estava brincando. Ficou até sua morte encastelado nele e deixou herdeiros. Diplomou Amazonino que diplomou Eduardo Braga, Alfredo Nascimento, Robério Braga e a Ana Maria Braga, que juntos fundaram a dinastia Braga. Pra poder controlar as varias esferas do poder, eles foram montando núcleos no legislativo e no judiciário onde existem os subgrupos. No legislativo tem a turma que age em família nos moldes máfia siciliana como os Souza que ficaram com a parte baixa e suja dos negócios, dos Lins que ficaram com as empreiteiras e construtoras onde se inclui o Pauderney Avelino e outros, dos evangélicos que apóiam todas as decisões do executivo sem nem olhar pra Cristo, e a indefectível bancada dos pseudo jornalistas apresentadores de televisão geralmente paridos dentro de programas de televisão assistencialistas e policialescos de baixa qualidade que atuam nos moldes narcoapresentadores para narcotizar a consciência cidadã da parte oprimida da população (de onde vieram os irmãos Souza, Marcos Rotta, Henrique Oliveira, as irmãs Sampaio e outros). No judiciário existem os eternos desembargadores raimundinhos alguma coisa que em troca de cordão de ouro grosso e uma lanchinha pra comer umas minas cafetinadas por colunistas sociais e criancinhas no interior, sabotam todos os processos que possam desestabilizar o bando, a absolvição do Amazonino foi só uma amostra do poder que eles ainda tem. A imprensa como quarto poder que insiste em não ser controlada como toda instituição democrática é, beneficia-se desse esquema de concessão implantado ainda na ditadura, onde apadrinhados e caciques políticos são os donos das rádios, jornais e televisão, cumpre o papel de ser o cabo eleitoral da gang, de eleger, de confundir a população, de desestabilizar qualquer tentativa de investigação através de boatos falsos e de denegrir a imagem das pessoas honestas que de alguma forma põe em perigo os negócios da quadrilha. Os jornalistas formados hoje só pensam em pegar uma boquinha pra ganhar jabá de corrupto. Essa galerinha do mal deve ficar com a barba de molho e com o toba colado na parede porque ao contrario do que eles estão acostumados acreditar, existem muito mais pessoas honestas do que bandidos desonestos no mundo. Intervenção federal já, e a Vanessa Grazziotin esta contra porque ela se acostumou à cadeira em que está sentada e quer tirar dividendo políticos da CPI da Violência Urbana já que ano que vem tem eleição e quem tem que se ligar nisso é a população.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O terrorismo midiático no ouvido penico


O Irã tem um programa nuclear que provoca suspeitas nos Estados Unidos e, por conseqüência, no PiG - Partido da Imprensa Golpista (Rede Globo, Folha de São Paulo, Estadão e a revistinha Veja, etc).
Israel tem bomba atômica, o que não provoca suspeitas nos Estados Unidos e, por conseqüência, no PiG.
O Irã diz que o programa nuclear é para fins pacíficos.
O Irã desenvolveu uma tecnologia original dentro da cadeia da indústria nuclear.
O Brasil, o maior produtor de urânio do mundo, tem um programa nuclear e desenvolveu uma tecnologia original para processar urânio.
O Brasil defendeu essa tecnologia com unhas e dentes para evitar cópias piratas.
O Irã diz que defende a sua tecnologia original também com unhas e dentes e, por isso, dificulta o acesso dos Estados Unidos ao seu programa.
O Brasil, aparentemente, não quer fazer a bomba. Essa seria uma das heranças malditas do governo FHC, pior do que a indicação de Gilmar Dantas (**) para o Supremo.
Fazer ou não a bomba é um problema que a sociedade brasileira breve terá de discutir. E o Conversa Afiada desde já se manifesta a favor da bomba.
Os Estados Unidos tem bomba; a Inglaterra tem bomba; França tem bomba; a China tem bomba; a Índia tem bomba; o Paquistão tem bomba e Israel tem bomba. Por que o Brasil não pode ter?
Se o Irã também quer, problema dele.
O Irã diz ao Brasil que o seu programa é pacífico. O Brasil e 99% dos países do mundo acreditam.
O PiG, não.
Problema do PiG.
Se o Farol de Alexandria não tivesse renunciado à bomba como renunciou à soberania nacional, o PiG diria que a bomba só não é melhor do que os vinhos Bordeaux do Renato Machado.
O problema do PiG não é nem a bomba nem o Irã.
O problema do PiG e dos chanceleres do PiG é o sucesso da política externa independente do Presidente Lula e seu chanceler, Celso Amorim.
O presidente Lula honrou uma tradição da política externa brasileira, defendeu o Estado de Israel, a contenção dos assentamentos dos colonos judeus e a criação de um Estado Palestino Autônomo.
E fez isso diante do ilustre convidado.
O Irã é hoje um dos maiores consumidores de carne bovina brasileira.
O Farol e seus chanceleres, hoje sublocados à Globo, são adeptos da política externa da genuflexão.
A diplomacia brasileira desempenha com o Irã e outros países da região do Oriente Médio uma política de potência.
O Conversa Afiada tira o chapéu à colonista (***) Eliane Cantanhêde que, hoje na Folha (****), faz uma análise isenta da relação Brasil-Irã.
O PiG, de resto, está acometido de um vírus que combina provincianismo com golpismo. Nesse aspecto, a Fox News que, aqui no Brasil, se sintoniza na Globo e na Globo News, continua a desempenhar um papel partidário, do partido do Calabar.

Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Só intervenção federal no Amazonas resolve


O Amazonas é um feudo político onde uma organização criminosa travestida de políticos está no poder a 25 anos. Quando o Boto Tucuxi, vulgo Gilberto Mestrinho, voltou do exílio e disse no aeroporto Eduardo Gomes que ficaria no mínimo 25 anos no poder ele não estava brincando. Ficou até sua morte encastelado nele e deixou herdeiros. Diplomou Amazonino que diplomou Eduardo Braga, Alfredo Nascimento, Robério Braga e a Ana Maria Braga, que juntos fundaram a dinastia Braga. Pra poder controlar as varias esferas do poder, eles foram montando núcleos no legislativo e no judiciário onde existem os subgrupos. No legislativo tem a turma que age em família nos moldes máfia siciliana como os Souza que ficaram com a parte baixa e suja dos negócios, dos Lins que ficaram com as empreiteiras e construtoras onde se inclui o Pauderney Avelino e outros, dos evangélicos que apóiam todas as decisões do executivo sem nem olhar pra Cristo, e a indefectível bancada dos pseudo jornalistas apresentadores de televisão geralmente paridos dentro de programas de televisão assistencialistas e policialescos de baixa qualidade que atuam nos moldes narcoapresentadores para narcotizar a consciência cidadã da parte oprimida da população (de onde vieram os irmãos Souza, Marcos Rotta, Henrique Oliveira, as irmãs Sampaio e outros). No judiciário existem os eternos desembargadores raimundinhos alguma coisa que em troca de cordão de ouro grosso e uma lanchinha pra comer umas minas cafetinadas por colunistas sociais e criancinhas no interior, sabotam todos os processos que possam desestabilizar o bando. A imprensa como quarto poder que insiste em não ser controlada como toda instituição democrática é, beneficia-se desse esquema de concessão implantado ainda na ditadura, onde apadrinhados e caciques políticos são os donos das rádios, jornais e televisão, cumpre o papel de ser o cabo eleitoral da gang, de eleger, de confundir a população, de desestabilizar qualquer tentativa de investigação através de boatos falsos e de denegrir a imagem das pessoas honestas que de alguma forma põe em perigo os negócios da quadrilha. Os jornalistas formados hoje só pensam em pegar uma boquinha pra ganhar jabá de corrupto. Essa galerinha do mal deve ficar com a barba de molho e com o toba colado na parede porque ao contrario do que eles estão acostumados acreditar, existem muito mais pessoas honestas do que bandidos desonestos no mundo. Intervenção federal já, e a Vanessa Grazziotin esta contra porque ela se acostumou à cadeira em que está sentada e quer tirar dividendo políticos da CPI da Violência Urbana já que ano que vem tem eleição e quem tem que se ligar nisso é a população.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Sol e A Lua


ARNALDO ANTUNES

O Sol pediu a Lua em casamento disse que já a amava há muito tempo
Desde a época dos dinossauros, pterodátilos, tiranossauros..
Quando nem existia a bicicleta nem o velotrol nem a motocicleta
Mas a lua achou aquilo tão estranho, uma bola quente que nem toma banho

Imagine só ___ tenha dó
Pois meu coração nao pertece a ninguém
Só a inspirações de todos os casais, dos grandes poetas aos mais normais
Sai pra la rapaz!

O Sol pediu a Lua em casamento,
E a Lua, disse:
Não sei, não sei, não sei
Me dá um tempo.

E 24 horas depois o Sol nasceu a Lua se pôs e..

O Sol pediu a Lua em casamento,
E a Lua, disse:
Não sei, não sei, não sei
Me dá um tempo.

O Sol congelou seu coração

Mas o astro rei
Com todos os seus planetas,
Cometas, asteroides,
Terra, Marte, Vênus, Netúnos e Urânos
Foi se apaixonar justo por ela,
Que o despresa e o deixa esperar.

Acontece que o Sol não se conformou
Foi pedir ao Vento para lhe ajudar,
Mas o Vento nem se quer parou
Pois não tinha tempo para conversar

O Sol sem saber mais o que fazer
Tanto amor pra dar,
E começou a chorar,
E a derreter,
Começou a chover, e a molhar,
E a escurecer.

O Sol pediu a Lua em casamento,
E a Lua, disse:
Não sei, não sei, não sei
Me dá um tempo.

E 24 horas se passaram e outra vez o Sol se pôs, a Lua nasceu
E de novo e de novo e de novo...

O Sol pediu a Lua em casamento,
E a Lua, disse:
Não sei, não sei, não sei
Me dá um tempo.

O Sol congelou seu coração

Se a Lua não te quer, tudo bem.
Voce é lindo cara e seu brilho vai muito mais além!
Um dia você vai encontrar alguém que com certeza vai te amar também.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Nós vimos o holocausto na TV


O bom de viver em São Paulo é que o mundo todo está aqui, tem gente de todo canto do planeta de todos os credos e etnias. Com a visita oficial do presidente eleito do Irã, o impronunciável Mahamoud Ahmadinejad no dia 23 de novembro, umas 1.500 pessoas fizeram uma manifestação contra a visita dele, principalmente grupos religiosos e claro, por motivos óbvios, a comunidade israelita paulista. Boris Ber, um dos organizadores é presidente da Federação Israelita de São Paulo, disse que a manifestação não é contra o povo do Irã mas contra o presidente “que nega deliberadamente o holocausto” e prega o fim do estado de Israel. Na manifestação tinha bispo evangélico e até o babalorixá Francisco de Osun (o meu é Ogum) que disse que o “presidente podia visitar o Brasil a negócios, só não podia ameaçar outros povos durante a visita”. Gostaria de saber onde estava toda essa gente quando os modernos aviões de guerra israelenses armados com os infalíveis mísseis inteligentes estavam bombardeando escolas de crianças palestinas por engano, por erro. Só em um desses ataques foram mortas 1200 crianças, explodidas em pedaços por ataques covardes. Esse holocausto a minha geração viu e não dá pra negar, esse é o nosso holocausto. Quanto ao presidente do Irã ele é somente o subproduto de milênios de ódio idiota de semitas contra semitas sem justificativa racional. Eu acredito no holocausto, eu vi um pela televisão.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A pauta da puta


A Rede Globo, A Folha de São Paulo, O Estadão, a revistinha Veja, são o baluarte do PIG (Partido da Imprensa Golpista) que por ódio de classe e viés ideológico tentam derrubar um presidente eleito porque são viciados em ditadura já que foram criados durante a ditadura militar e pensam que ainda tem a pauta do pensamento da sociedade brasileira. Assim como a oposição está sem rumo, sem plano ou projeto, a imprensa golpista também está perdendo a pauta, pelo simples fato de ser puta, sem querer sacanear a honrosa profissão. Acordar com a Miriam Leitão, a urubologa de plantão e sua trombeta do apocalipse, sem falar de sua beleza estonteante, e dormir com o William Waack e sua cara de vampiro contrariado apregoando o fim dos tempos é de fazer um mortal nunca mais ligar televisão. Enquanto a elite empresarial paulista não perceber que São Paulo não é mais a locomotiva do Brasil, porque o Brasil não é mais um trem colonial e mesmo porque enquanto essa elite esteve no poder não construíram um metro de trilho sequer, e não entenderem que o grande capital sem pátria e sem regionalismo tupiniquim está se espalhando pelo pais inteiro, alguém tem que dar uma dose de acorda Alice, porque está ficando chato o desespero dessa gente. Um pais como o Brasil precisa ter oposição inteligente, propositiva, interrogadora, questionadora e acima de tudo realista, não essa pomba gira que a oposição se tornou, obedecendo a pauta dos Daniel Dantas da vida, que vivem do dinheiro do contribuinte desde as privatizações do FHC. Vai haver eleições para a presidência do Brasil sim e não vai ser por golpe que essa imprensa vendida vai impor o seu candidato, ainda mais com esses colonistas aparecendo todo dia apregoando o caos. Põe a moça do tempo pra falar mal do Lula que eu acredito, a Miriam Leitão não...pelo amor de deus.

domingo, 8 de novembro de 2009

O efeito manada paulista


A estudante de Turismo Geisy Arruda sofreu bárbaro assédio coletivo no dia 22 de Outubro, e quase foi estuprada por 700 alunos. Em anúncios cinicamente publicados nos jornalões paulistas de quinta categoria, pertencentes ao PIG (Partido da Imprensa Golpista), a Universidade Bandeirante –UNIBAN, anuncia que decidiu expulsar a aluna. A universidade preferiu punir a vítima e inventar uma justificativa canalha para o espetáculo do bullying, registrado por câmeras dos próprios alunos. Seria cômico se não fosse trágico. A Uniban, mais uma das uniesquinas do Brasil, considera "defesa do ambiente escolar" a agitação do bando que ameaçava estuprar a colega e que a perseguiu aos gritos de "puta, puta, puta". Em "Psicologia das Multidões", Gustave Le Bon refere-se com clareza ao fenômeno da sugestão em movimentos de multidões, vulgarmente chamado de efeito manada. Alheia a valores e princípios, a Uniban pautou-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Expulsou a mocinha da periferia e manteve as centenas de vândalos que a molestaram. Defendeu, assim, a receita, a contabilidade, mesmo sob o risco de macular para sempre sua imagem. Em nome do "negócio", a Uniban preferiu investir na fabricação de canalhas. A invenção do lucro pelo lucro, de uma sociedade competitiva, “trabalhadora” e bem sucedida é uma invenção da sociedade moderna criada na revolução industrial e plenamente copiada em todos os seus principios e ausências de valores pela sociedade paulista, que se orgulha em ser vitoriosa nesse modelo de desenvolvimento, mesmo com suas universidades de esquina formando cidadãos dessa natureza. Os estupradores de hoje serão os governantes de amanhã. O episódio Geisy revela a decadência do ensino universitário brasileiro, transformado em oportunidade de mercado. Essa é a herança do regime militar e dos governos conservadores que o seguiram, sobretudo aquele do privateiro Fernando Henrique Cardoso. Ironicamente, o bajulado professor uspeano de tudo fez para esculhambar o ensino público de qualidade, entregando o sagrado ofício da educação às máfias dos certificados e aos traficantes de títulos acadêmicos. Tempos de provação. E, como formigas, os canalhas saem aos montes dessas instituições, prontos a divinizar o pensamento neoliberal e a Lei de Gérson, seduzidos à barbárie por diversão. E o pior é ouvir em bares garotas paulistas concordando com isso. Afff.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Meu ouvido virou pinico


O PIG (Partido da Imprensa Golpista) formado pela Rede Globo, Grupo Folha, Estadão e a revistinha Veja e afins, que obedecem à agenda da elite empresarial paulista e tem como projeto estabelecer no Brasil uma republica governada eternamente por quem tem a grana, a elite empresarial paulista, está dando a direção, o norte para a oposição, completamente perdida e abobalhada com os números e os índices do governo Lula. E todo mundo sabe quem manda nos jornais do PIG, os empresários da elite paulista. Sai no jornal de manhã um possível escândalo, a tarde um senador do DEM ou do PSDB pede CPI e a noite dá com estardalhaço no Jornal Nacional. Essa formula está tão manjada que está cansando o telespectador que não vê a hora da novela começar. E o PIG ainda não percebeu que esse esquema não está funcionando. Hoje está sendo julgado no STF o senador Geraldo Azeredo - PSDB, partido que é à base da elite empresarial paulista, acusado de ter inventado o esquema chamado mensalão, começando a repassar dinheiro que o Daniel Dantas, empresário corrupto e bancador do mensalão, ganhou com as privatizações das teles do governo FHC. Ele repassava para o Marcos Valério que repassava para a campanha do Geraldo Azeredo para o senado. Nasce assim o esquema mensalão. A matéria de capa do Globo era a requentada estória do Jose Genoino – PT ter participado do esquema. O PIG tem ao menos que ser menos obvio e menos chulo nas suas pretensões. O fato é que a imprensa brasileira se transformou em partido político e tem que ser tratada como tal e, portanto se submeter às mesmas regras. Os grandes jornais seguem interesses meramente empresariais e, portanto não é baluarte de democracia porra nenhuma. Tem que haver regras para o controle da imprensa, enquanto concessão publica. As redações de jornais estão cheias de colunistas pagos pelos Daniel Dantas da vida, sem falar nos donos. Isso se aplica aos jornais do Amazonas tambem. Com as regras um cidadão comum pode processar o PIG por tentativa de piniquilizar o ouvido alheio. Afff.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Indios


Quem me dera, ao menos uma vez,
Ter de volta todo ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha
Quem me dera, ao menos uma vez,
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano de chão
De linho nobre e pura seda.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir e o futuro não é mais como era antigamente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer
Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante,
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.
Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É só maldade então, deixar um Deus tão triste
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda, assim pude trazer você de volta pra mim,
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim
E é só você que tem a cura para o meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Renato Russo

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Ode aos despeitados


Muita gente critica o trabalho do vitalício secretário de corte e costura do Amazonas. Alguns despeitados o chamam de Robélio Braga, coisa de gentinha, né não?! Criticam porque ele expulsou as beatas devotas de São Sebastião, tirando da praça a tradicional quermesse anual do santo que dá nome ao Largo, espremendo-as na calçada do Bar do Armando, só pra dar mais espaço pro tapete vermelho anual que ele estica para passar os atores globais talentosos quando vem buscar seus cachês altíssimos e se refestelar nas festas do Negão regada a uísque bancado com nosso dinheiro. Quem critica é porque não foi convidado da festa, gente provinciana, com falta de visão, despeitados que não percebem o sonho do secretário, um homem que pensa Manaus com sua vocação de Paris dos Trópicos, que vive a belle epoque na sua essência, um homem culto, que ouve opera no jantar e que cultiva o excelente hábito de andar de carruagens pelas ruas de pedra do centro, ouvindo jazz. O fato é que o populacho ladra e a carruagem passa.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ah...ah aaaah..sou véio gagá.


Bom ouvir Arnaldo Antunes quando diz “quero envelhecer para ser um velho gagá...”. Muito bom envelhecer. Cara...”a barba vai caindo , os cabelos vão sumindo pra cabeça aparecer, e o tempo vai dizendo que agora é pra valer, os outros vão morrendo e a gente aprendendo a esquecer”. Viva o meu mal de alzaimer. Bruuuuuuuu.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O irreversível destino do Emo Sapiens


Raimundo nasceu às margens do Rio Jaú no Amazonas, filho de caboclos descendentes de índios da Amazônia. Aos 10 anos de idade seus pais foram obrigados a abandonar a região, pois ela havia se transformado em reserva ambiental e a ONG que administra a área proibiu a entrada dos regatões, barcos regionais que fazem o comercio pelos rios, levando insumos básicos a sobrevivência dos caboclos já integrados ao modo de vida branco. Quando a sua família chegou à Manaus, foram jogados na indigência, pois não eram nem índios e nem brancos, e a vida dura em uma cidade grande os levou a morar nas ruas. Seu pai em pouco tempo estava roubando e traficando e sua mãe se prostituia. Quanto ao Raimundo, passava seus dias andando pelas praças do centro da cidade cheirando cola de sapato com bando de meninos abandonados. Aos 13 anos encontrou um padre que trabalha com resgate de indigentes, e tem preferência por meninos adolescentes. Na condição de protegido do padre pedófilo, ele começou a ter experiências homossexuais não consensuais em troca de comida e abrigo. Ao mesmo tempo ele começou a receber desse padre uma educação erudita, sendo iniciado no estudo da filosofia. Começou e ler Kafka, Baudelaire, Rimbaud, Fernando Pessoa, etc., e ao perceber que todos eram bibas, começou a achar normal ser biba também. Nessa idéia o padre deu uma ajudinha amiga. Dentro desse universo ele foi crescendo e seu dilema aumentando por se sentir deslocado nesse mundo estranho. Vivia numa cidade que nem era brejo nem metrópole, ele já não era mais índio e muito menos branco e o pior dilema, havia sido empurrado para a homossexualidade por circunstancias da vida, mas tinha sonhos eróticos com garotas, ou seja, ele era um hetero que forçadamente pegava homens. Com o passar dos anos, essa angustia foi aumentando, transformando Raymond, ele até mudara o nome, em uma pessoa taciturna e introvertida, com serias tendências suicidas. Numa de suas tentativas de suicídio fracassadas, ele pensou em dar cabo da própria vida em grande estilo. Resolveu fazer haraquiri baiano pulando da passarela em frente ao maior shopping da cidade. O haraquiri baiano é uma adaptação do ritual suicida japonês, consiste basicamente da pessoa pular de uma altura, nu, e meter dois dedos no toba e rasgar. Dizem que é tiro e queda. Quando Ray se preparava para pular, ia passando a Gay Parade Baré, evento anual que reúne o maior numero de veadinhos indígenas do planeta. Ele resolve adiar o suicídio e cai na gandaia, foi quando conheceu uma bichinha paulista que o convidou para dar um rolé por Sampa. Raymond foi de mala e cuia. Para se enturmar e por hábito, continuou dando três dedos de cú todo dia, para poder se inserir na vida moderna da cidade grande. Com o tempo passou a se identificar com os emos, pois tinham o mesmo perfil dele, deprimidos, liam os mesmos autores, andavam em bandos e gostavam de queimar a rosca para sobreviver ao mundo cão. Assim nasce o Emo Sapiens, o emo pan amazônico transmutado para a metrópole que o suga cotidianamente. Se não fosse as recaídas sexuais quando ele bebia muito, o mundo estaria perfeito. Ele não pode ver uma mina gostosa que não consegue parar de pensar em comê-la. A luta entre a biba que quer se impor pela força da racionalidade e da vontade e o espada que no fundo ele é. Esse é o dilema existencial do Emo Sapiens.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

De novo o Complexo de Vira Latas


Complexo de vira-lata é uma expressão criada pelo dramaturgo e escritor brasileiro Nelson Rodrigues, a qual originalmente se referia ao trauma sofrido pelos brasileiros em 1950, quando a Seleção Brasileira foi derrotada pela Seleção Uruguaia de Futebol na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. O Brasil só teria se recuperado do choque (ao menos no campo futebolístico) em 1958, quando ganhou a Copa do Mundo pela primeira vez. Para Rodrigues, o fenômeno não se limitava somente ao campo futebolístico. Segundo ele, por 'complexo de vira-lata' entendo eu, é “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. Ainda segundo Rodrigues “o brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a auto-estima”. O Brasil está passando novamente por isso. Um bando de brasileiros idiotas não se acham grande o suficiente para administrar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada e ficam destilando ódio de classe mal disfarçado de oposição política ao Lula, tendo surtos éticos moralistas repentinos e suscitando o antigo Complexo de Vira Latas do povo brasileiro, hora chamando de incompetentes, hora de ladrões em quem não se pode confiar, julgando a todos linearmente e com claro, despudorado e clássico ódio de classes. Já ouvi todo tipo de guerrilha editorial nos jornais e nas conversas de boteco; Que Copa e Olimpíadas dão prejuízo aos países sede, que os países que concorriam não queriam ganhar de fato, etc, etc. Tudo, menos acreditar que o Brasil merece e pode fazer e que tem um povo que virou gente grande.
Pra esses vodus só sal grosso dá jeito.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A sauna gay indígena londrina


Manaus está coberta de fog. A cidade está tão enfumaçada que parece Londres. Os caboquinhos estão realizando um sonho antigo. Ser inglês. Esse é um desejo atávico da classe média manauara. Agora a cidade está à cara de Londres e de São Paulo, é só fumaça e engarrafamento. Somos uma metrópole enfim. O calor de cinqüenta graus é um detalhe de fundo. O lance é a inserção, nem que para isso tenhamos que viver numa cidade onde o calor faz colar os ovos e gelatinar os bogas. A solução pensada é cortar todas às arvores e pôr carpete em tudo, carpete verde, imitando a grama da Inglaterra que na verdade é grama do planalto andino peruano, cobrir com uma grande esfera de vidro, por ar condicionado e ter metrô de superfície cortando os céus. Por conta desses delírios não vi que minha urina estava molhando minhas patas no banheiro sujo do Castelinho, bar no centro da cidade, refugio de neo metaleiros, punks, lésbicas de ocasião, bibas travestidas de roqueiros pesados e neo-ambientalistas criados em cativeiro. A urina no meu pé me fez retornar ao patamar da normalidade que é quando você imagina saber onde você está e passa também a ouvir o som ambiente, e dependendo da droga que esteja usando essa realidade pode parecer mais real. Olhei para o lado e vi dois caras tatuados de casaco de couro escrito Hells Angels, escrevendo frases na parede do banheiro já cheio de frases homófobas sem noção. Quando eles saíram fui ler pra matar a curiosidade mórbida. “Adoro omi de barba, gordinho e casado, favor ligar 92 -...”. Eu liguei e ouvi um celular tocando. O anuncio era sério. Desliguei e achei que aquela parede tinha mais utilidade do que aparentemente tinha. Pra não passar barato pus mais um número embaixo do que o cara pôs pra contato. Pus o numero de um amigo meu que odeia veado. Fiz a minha boa ação do dia.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ahhhh.....esse Lula!


O Cronica Bipolar republica texto do Blog do Leandro Fortes.
Lula poderia ter agido, como muitos de seus pares na política agiriam, com rancor e desprezo pelo Rio de Janeiro, seus políticos, sua mídia, todos alegremente colocados como caixa de ressonância dos piores e mais mesquinhos interesses oriundos de um claro ódio de classe, embora mal disfarçados de oposição política. Lula poderia ter destilado fel e ter feito corpo mole contra o Rio de Janeiro, em reação, demasiada humana, à vaia que recebeu – estranha vaia, puxada por uma tropa de canalhas, reverberada em efeito manada – na abertura dos jogos panamericanos, em 2007, talvez o maior e mais bem definido ato de incivilidade de uma cidade perdida em décadas de decadência. Vaiou-se Lula, aplaudiu-se César Maia, o que basta como termo de entendimento sobre os rumos da política que se faz e se admira na antiga capital da República. Fosse um homem público qualquer, Lula faria o que mais desejavam seus adversários: deixaria o Rio à própria sorte, esmagado por uma classe política claudicante e tristemente medíocre, presa a um passado de cidade maravilhosa que só existe, nos dias de hoje, nas novelas da TV Globo ambientadas nas oníricas ruas do Leblon.
Lula poderia ter agido burocraticamente a favor do Rio, cumprido um papel formal de chefe de Estado, falado a favor da candidatura do Rio apenas porque não lhe caberia falar mal. Deixado a cidade ao gosto de seus notórios representantes da Zona Sul, esses seres apavorados que avançam sinais vermelhos para fugir da rotina de assaltos e sobressaltos sociais para, na segurança das grades de prédios e condomínios, maldizer a existência do Bolsa Família e do MST, antros simbólicos de pretos e pobres culpados, em primeira e última análise, do estado de coisas que tanto os aflige. Lula poderia ter feito do rancor um ato político, e não seria novidade, para dar uma lição a uma cidade que o expôs e ao país a um vexame internacional pensado e executado com extrema crueldade por seus piores e mais despreparados opositores.
Mas Lula não fez nada disso.
No discurso anterior à escolha do Comitê Olímpico Internacional, já visivelmente emocionado, Lula fez o que se esperava de um estadista: fez do Rio o Brasil todo, o porto belo e seguro de todos os brasileiros, a alma da nacionalidade. Foi um ato de generosidade política inesquecível e uma lição de patriotismo real com o qual, finalmente, podemos nos perfilar sem a mácula do adesismo partidário ou do fervor imbecil das patriotadas. Lula, esse mesmo Lula que setores da imprensa brasileira insistem em classificar de títere do poder chavista em Honduras, outra vez passou por cima da guerrilha editorial e da inveja pura e simples de seus adversários. Falou, como em seus melhores momentos, direto aos corações, sem concessões de linguagem e estilo, franco e direto, como líder não só da nação, mas do continente, que hoje o saúda e, certamente, o aplaude de pé.
Em 2016, o cidadão Luiz Inácio da Silva terá 71 anos. Que os cariocas desse futuro tão próximo consigam ser generosos o bastante para também aplaudi-lo na abertura das Olimpíadas do Rio, da qual, só posso imaginar, ele será convidado especial.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Engarrafamento é coisa chic


Manaus já pode ser chamada de metrópole. Somos que nem São Paulo, Rio, Nova York. Se vacilar nosso engarrafamento é maior. Dá para ver a cara de prazer dos nossos caboquinhos dirigindo seus automóveis, presos nos intermináveis engarrafamentos que nos enchem de orgulho, nos fazendo sentir parte da modernidade, da inserção global, do progresso. Dá prazer ver a cara de orgulho dos nossos nativos pilotando lentamente, languidamente seus automóveis reluzentes, querendo esquecer as canoas que até pouco tempo os levava para os rincões amazônicos. Tanto que até dirigem carros como se fossem canoas, ao sabor do remanso.
Lindo mesmo vai ser quando finalmente os viadutos estiverem prontos. Que felicidade! Poder ver o mundo do alto, aos seus pés, e de lambuja de dentro dos seus brinquedinhos poderosos. Pena que os viadutos daqui tem tendência a cair, mesmo antes de usar. Mas isso é detalhe.
Como pedestre e despeitado que sou, tenho que andar pelas ruas sem calçada porque rua é só pra carro, e entrar em ônibus lotado e ser contaminado pela plebe rude e suas demandas e comentários sem sentido. Xingamentos contra semáforo surdo que demora eternidade para abrir, contra o motorista que não passa por cima dos carros menores parados na frente, contra o guarda de transito que supostamente é quem controla os semáforos e fica parado com cara de lezo, contra a velhinha lenta que demora para subir pela frente no onibus sem pagar. O motorista só ouvindo Calypso com seu pen drive que toca mp3.
Uma senhora com cara de pobre me fez uma pergunta. "Pra onde esses carros todos vão?". Fiquei sem resposta. Eu acho que eles não sabem, nem eu. Mas que vão, vão. E eu vou continuar achando engarrafamento coisa chic

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pela CPI da imprensa já!!


O caso de Veja por Luís Nassif
O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja.Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.
Para entender o que se passou com a revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças.
O primeiro conjunto são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo.
O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década..
A terceira, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos.
O estilo neocon
De um lado há fenômenos gerais que modificaram profundamente a imprensa mundial nos últimos anos. A linguagem ofensiva, herança dos “neocons” americanos, foi adotada por parte da imprensa brasileira como se fosse a última moda.
Durante todos os anos 90, Veja havia desenvolvido um estilo jornalístico onde campeavam alusões a defeitos físicos, agressões e manipulação de declarações de fonte. Quando o estilo “neocon” ganhou espaço nos EUA, não foi difícil à revista radicalizar seu próprio estilo.
Um segundo fenômeno desse período foi a identificação de uma profunda antipatia da chamada classe média mídiatica em relação ao governo Lula, fruto dos escândalos do “mensalão”, do deslumbramento inicial dos petistas que ascenderam ao poder, agravado por um forte preconceito de classe. Esse sentimento combinava com a catarse proporcionada pelo estilo “neocon”. Outros colunistas utilizaram com talento – como Arnaldo Jabor -, nenhum com a fúria grosseira com que Veja enveredou pelos novos caminhos jornalísticos.
O jornalismo e os negócios
Outro fenômeno recorrente – esse ainda nos anos 90 -- foi o da terceirização das denúncias e o uso de notas como ferramenta para disputas empresariais e jurídicas.
A marketinização da notícia, a falta de estrutura e de talento para a reportagem tornaram muitos jornalistas meros receptadores de dossiês preparados por lobistas.
Ao longo de toda a década, esse tipo de jogo criou uma promiscuidade perigosa entre jornalistas e lobistas. Havia um círculo férreo, que afetou em muitos as revistas semanais. E um personagem que passou a cumprir, nas redações, o papel sujo antes desempenhado pelos repórteres policiais: os chamados repórteres de dossiês.
Consistia no seguinte:
O lobista procurava o repórter com um dossiê que interessava para seus negócios.
O jornalista levava a matéria à direção, e, com a repercussão da denúncia ganhava status profissional.
Com esse status ele ganhava liberdade para novas denúncias. E aí passava a entrar no mundo de interesses do lobista.
O caso mais exemplar ocorreu na própria Veja, com o lobista APS (Alexandre Paes Santos).

Durante muito tempo abasteceu a revista com escândalos. Tempos depois, a Policia Federal deu uma batida em seu escritório e apreendeu uma agenda com telefones de muitos políticos. Resultou em uma capa escandalosa na própria Veja em 24 de janeiro de 2001 (clique aqui) em que se acusavam desde assessores do Ministro da Saúde José Serra de tentar achacar o presidente da Novartis, até o banqueiro Daniel Dantas e o empresário Nelson Tanure de atuarem através do lobista.
Na edição seguinte, todos os envolvidos na capa enviaram cartas negando os episódios mencionados. Foram publicadas sem que fossem contestadas.
O que a matéria deixou de relatar é que, na agenda do lobista, aparecia o nome de uma editora da revista - a mesma que publicara as maiores denúncias fornecidas por ele. A informação acabou vazando através do Correio Braziliense, em matéria dos repórteres Ugo Brafa e Ricardo Leopoldo.
A editora foi demitida no dia 9 de novembro, mas só após o escândalo ter se tornado público.
Antes disso, em 27 de junho de 2001(clique aqui) Veja publicou uma capa com a transcrição de grampos envolvendo Nelson Tanure. Um dos “grampeados” era o jornalista Ricardo Boechat. O grampo chegou à revista através de lobistas e custou o emprego de Boechat, apesar de não ter revelado nenhuma irregularidade de sua parte.
Graças ao escândalo, o editor responsável pela matéria ganhou prestígio profissional na editora e foi nomeado diretor da revista Exame. Tempos depois foi afastado, após a Abril ter descoberto que a revista passou a ser utilizada para notas que não seguiam critérios estritamente jornalísticos.
Um dos boxes da matéria falava sobre as relações entre jornalismo e judiciário.

O boxe refletia, com exatidão, as relações que, anos depois, juntariam Dantas e a revista, sob nova direção: notas plantadas servindo como ferramenta para guerras empresariais, policiais e disputas jurídicas.