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Emo Sapiens tenta suicídio na Ponte Rio Negro


Já arrumaram uma serventia para a ponte recém inaugurada.
Aconteceu o que todos temiam.
Suicidas adoram pontes.
Acho que é porque não esfacela o corpicho no impacto.
Não fica feio na foto.
Ontem logo após a inauguração da Ponte do Rio Negro (esse nome é melhor que Ponte do Iranduba), o Emo Sapiens sem que os seguranças da ponte vissem, conseguiu chegar no vão central na tentativa de mais um suicídio.
Ou ao menos dar pinta.
O Emo Sapiens é um descendente de índios da região do Rio Negro, precisamente da área onde hoje é a Reserva do Jaú, a maior reserva do mundo.
Quando transformaram a região em reserva começaram um plano de tirar as pessoas de lá.
Já que gente não vale o que uma capivara enterra para esses ambientalistas criados em cativeiro.
Para eles ou você é índio ou capivara.
Eles proibiram a entrada de regatões na reserva. Regatão é o barco que troca insumos com os nativos do interior da Amazônia.
Com essa estratégia de estrangulamento as famílias tiveram que sair da reserva.
Vieram para a cidade e se transformaram em traficantes, prostitutas, mão de obra escrava no distrito ou nas casas das famílias burguesas de Manaus.
O Emo Sapiens virou um cheira cola.
Ele não era nem índio, nem branco, nem gente, nem nada.
Se não fosse o padre pedófilo tê-lo tirado da indigência e dado educação erudita, talvez a essa altura ele estivesse morto.
O dilema do Emo Sapiens é que ele virou biba na marra por causa do padre, mas no fundo ele é espada.
Só quando ele bebe é que ele não pode ver uma mina na frente dele que dá vontade de come-la.
Por causa dessa angustia volta e meia ele tenta suicídio.
Mas ainda não foi dessa vez.
O seu namorado Remela percebeu a intenção da biba de pular da ponte e falou que ia ter uma rave em Paricatuba.
O Emo Sapiens adiou o suicídio.
Talvez na volta de Paricatuba.
A ponte vai estar sempre lá.

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