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Pequenos contos de corações sequelados


Sergio sempre gostou de homem desde pequeno.
Costuma dizer que gosta mais de homem do que de cinema, sendo ele um cinéfilo.
Sergio é um gay conservador, acredita na relação à dois, monogâmica, no casamento, na família, na tradição e na propriedade.
Sergio é um gay muito bem casado.
Poderia ser candidato pelo PSC do Marcos Feliciano na boa.
Acho que o Sergio é muito mais família que muitos conservadores que conheço por ai.
O Sergio é gay e tem orgulho de ser gay, mas não dá pinta.
Diz que “ser homem gay é gostar de homem e não querer ser uma cópia barata de uma mulher”.
Ele é até muito másculo para um gay.
Másculo até demais e por isso atrai as garotas mesmo sabendo ser ele um gay assumido.
Porém, quando o Sergio bebe muito, volta e meia ele tem recaídas heteros e sai beijando a primeira mulher que der mole para ele.
Embora no dia seguinte fique com uma brutal ressaca moral por ter tido a recaída e por saber estar traindo o seu marido que não sabe dessas recaídas.
Quando o Sergio diz que dormiu na casa de uma “amiga”, o marido pensa que nada rolou.
Agora, na semana que antecede o Dia dos Namorados, Sergio foi a um shopping comprar um presente para seu marido, como todo ano costuma fazer. Antes passou na Cachaçaria do Dede para tomar alguma coisa. Bebeu várias.
Saiu para fumar na área de fumantes e encontrou uma garota exótica, gótica, punk, para lá de emo, bem mais que rock in roll, fumando e ouvindo som em um headphone pancadão cantarolando uma canção linda meio rock in roll.
Ele ficou olhando aquela criatura e ficou fascinado, puxou papo e ela cedeu um lado do headphone para ele ouvir a mesma música que ela ouvia.
Em silencio e sem perceber, rolou o primeiro beijo com aquela estranha criatura do mistério e das trevas de onde vem tudo, inclusive a luz e o amor.
Se aquilo não é amor, não existe o amor.
Continuaram noite adentro ouvindo musicas, fumando, bebendo e se beijando.
No dia seguinte, Sergio acorda no apartamento da estranha garota e pensou sair de fininho e a francesa.
Dói menos sair a francesa.
Ao passar pela sala lá estava a mesma garota, deitada, ouvindo as mesmas músicas, com o mesmo ar de felicidade e ainda misteriosa.
Pensou “Bem que eu poderia ficar”.
E ficou.
Ninguém deixa de ser as coisas, a gente vira outras coisas.
E nada melhor que viver sem a prisão dos rótulos.
O amor vem de toda direção.

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