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Dia do namorado virtual


Uma amiga estava a perigo há dias, sem ver a cor de sexo fazia séculos, estava na maior secura, como diz o caboco.
Nesse estado de subir pelas paredes resolveu apelar para o São Facebook. Ampliou a sua lista de amigos para atrair possíveis vitimas. Pois não é que nessa ela achou um “amigo” da época da escola, amigo que volta e meia ela usava para dar uma sapecada adolescente.
Era um gato, tinha carro, pois era filho de prefeito de cidade do interior que morava na cidade gastando a grana do pai.
Marcaram um encontro rapidamente, devido ao estado de jactância sexual da minha amiga.
Ela marcou na frente da drogaria Santo Remédio do Parque 10, aquela do estacionamento que tem pisca-pisca azul.
Não demorou muito lá vem o seu “amigo” do passado atravessando a rua.
Estava gordo, barrigudo, careca e a pior das tragédias, estava adornado com uma pochete imensa que atravessava toda a extensão da grande barriga.
A minha amiga lembrou na hora do comercial da cerveja “Adocica... adocica... adocicaaa meu amor a minha vida!”
Devido ao estado de total atraso sexual, minha amiga resolveu relevar a barriga e a pochete e topou sair assim mesmo.
Falou “vamos, cadê teu carro?”
Ao que o Adocica respondeu “Tem não... vamos de ônibus mesmo amor!”. E pegou na mão da minha amiga como se fosse namorado e saiu rebocando para o ponto de ônibus.
Minha amiga pensou “já que está, vai tu mesmo!”.
Dentro do ônibus ela não conseguia olhar para o cara que começava a cantarolar “Adocica... adocica... adocica meu amorrr!”.
Ele ficava sapecando beijos nela a toda hora.
Quando ela olhou para baixo, para os pés dele, viu um tênis todo velho, todo rasgado e começou a achar que tinha algo errado, que o "amigo" de outrora já não era mais o mesmo, que devia estar na indigência ou coisa parecida.
Começou a ficar apreensiva. Então resolveu perguntar onde seria o abate, o evento sexual, o Adocica respondeu “Em um hotel lá do centro, tem um cara que é dono do hotel e tá me devendo!”.
Foi à gota d’água.
Ela resolveu descer do ônibus, mas antes perguntou para o Adocica “Tem grana ai pra eu voltar de ônibus?” ao que o Adocica respondeu tirando do bolso “Só esses vinte reais!”
Minha amiga tomou os vinte reais da mão dele e foi beber cerveja no Bar do Armando.
Eu soube da historia porque ela mesma contou para o Bar do Armando inteiro ouvir.
Amores facebookianos tem disso.
As fotos que você vê é do tempo da escola.
Os sentimentos também.

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