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O Deprê tinha epilepsia canina

Essa semana um laboratório foi invadido por ativistas que resgataram cerca de 200 cães da raça beagle do Instituto Royal, que trabalha para indústrias farmacêuticas e faz pesquisas com animais.
O Deprê chegou na minha vida trazido por mãos caridosas de amigas que o encontraram perambulando perdido nas ruas da Barelândia.
Relutei no início pois tinha recentemente perdido o meu querido american de nome Tupã que morreu afogado nas águas escuras e traiçoeiras do maravilhoso Rio Negro.
Quando vi a cara do Deprê logo me amarrei nele.
O nome veio na hora pois ele estava com uma cara de perdido, deprimido, triste e solitário pois tinha sido abandonado por algum dono idiota que se mudou e descobriu que o cachorro pode atrapalhar a vida de alguém.
O Deprê era possuidor de epilepsia canina, vim a descobrir depois e ele morreu disso.
Mas antes de morrer eu tirei da cara e do espirito dele a desesperança. Eu o amei e dei atenção ele pegou pilha, ficou marrento e latia para os cães e gatos da rua cheio de energia.
Os beagles são simpáticos e marrentos, costumam não arregar na porrada nem para pit-bull.
Por conta da doença eu tinha que medica-lo com Gardenal e conseguir o remédio tarja preta só em veterinário autorizado e li no Google que epilepsia canina não mata.
Mata sim e detesto o Google por isso.
E detesto mais a mim mesmo por ter deixado o Deprê morrer em um ataque de epilepsia quando eu não estava em casa e ele caiu da escada e morreu da queda.
Morro a cada dia em um delicioso suicídio lento e prazeroso que nada tem a ver com a culpa que sinto sobre o Deprê. Somos um deposito de culpas judaico-cristãs infindáveis.
Todos nós morremos a cada dia.
Vendo a manchete dos jornais sobre os 200 beagles usados na pesquisa de um laboratório que faz pesquisa para a bilionária e canalha indústria farmacêutica, logo me veio a cara perdida do Deprê que precisava de um remédio dessa indústria farmacêutica canalha que usa animais como beagles para pesquisas.
E eu nem sabia que cães tinham epilepsia.
Vivendo e aprendendo.

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