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Novembro de pobre é marromeno azul

Exame de próstata ainda é um tabu entre o rego dos espadas para chuchu.
O cara pode até bancar o moderninho e dizer piadas na roda de cachaça que a proctologista dele se chama Felicidade e coisa e tals, mas, sem sacanagem, em proctologista só vai rindo quem senta em quibe gargalhando.
Não tem bom.
Novembro Azul está para o toba dos machos assim como o Outubro Rosa está para os peitos das fêmeas.
Todo homem que prefere o incomodo de uma dedada na tablet à dor de um câncer, faz exame de próstata antes dos cinquenta para ver como se encontra a perseguida.
Meu amorzinho viu na televisão que o governo estava em campanha e pôs laboratórios clínicos em carretas e carretas no centro antigo para atender os pobres de graça.
De graça até injeção na próstata, diz o caboco.
Me taquei para o centro sem tomar café da manhã porque o exame assim pede.
Chegando lá tinha uma enorme fila de machos de meia idade para cima e todos com cara de suspeitos, uns olhando para o outros desconfiados.
Claro que no meio tinha os animadões dando conselhos dizendo que é uma delícia e coisa e tals.
Reparei também que o único que tinha ido com a patroa era eu.
Fui me esgueirando no meio da multidão até chegar a moça que atende a bagaça e perguntei como era o lance. Fui informado que precisa ter encaminhamento ou pedido de exame dado por algum médico do SUS.
Eu não tinha.
Peguei a mão do meu amorzinho e sai todo contente abanando o rabo pelas ruas do centro antigo da Barelândia em um belo dia de sol.
Fui até a zona de lojas de instrumentos musicais perto do Garajão consertar um headphone JBL que adoro e notei que ali bem que poderia ser a nossa Theodoro Sampaio, rua de Sampa que abriga lojas de instrumentos e por isso tem bares, restaurantes e feiras todas cheias de músicos tocando e alegrando a cidade.
O centro antigo da Barelândia tem jeito, bastaria ter um Caldeira na região das lojas de instrumentos.
Né não?

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